Autor

Roberto Wik

Diretor de Digital Technology & Innovation, Vecte.

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O avanço da tecnologia significa inovação?

“A tecnologia deve ser considerada um facilitador e um meio para alcançar a inovação; não inovação em si.”

Artigo publicado na FCBB – Federação das Empresas Canadenses-Brasileiras

fcbb.org

Muito se discute sobre inovação e seu impacto na tecnologia. Afinal, a tecnologia não é responsável pela inovação? O que então os casos bem conhecidos de, por exemplo, Uber, Airbnb e Waze têm em comum? Todos eles surgiram como uma solução inovadora e, claro, a tecnologia faz parte deles. A tecnologia, entretanto, não foi o principal catalisador; apenas apoiou e possibilitou uma abordagem inovadora que trouxe benefícios e valor para os clientes. Esta é uma razão pela qual muitos fornecedores de soluções inovadoras falham; eles estão focados na tecnologia, ao invés de considerar a estratégia, os processos e as pessoas como parte do produto ou serviço a ser entregue. Mesmo a solução tecnológica mais avançada, se não estiver centrada no valor e benefício para o cliente, irá falhar.

De acordo com o IDC, “As organizações agora estão se concentrando na produção de software embutido em produtos e serviços”.

É possível que você tenha hoje cerca de cinco dispositivos digitais conectados que atuam todos como fronteiras entre o universo digital e o físico, fazendo com que o físico quase desapareça, fenômeno batizado de “phygital”. A Internet das Coisas (IoT) está nos conduzindo a uma jornada de transformação de um mundo essencialmente físico para um mundo “phygital” sem que consigamos perceber a diferença. De acordo com o IDC, as associações estão agora se concentrando na produção de software embutido em produtos e serviços para competir em seu setor e a maior parte dessa produção de inovação digital será focada na criação de novo valor para os clientes. A IDC prevê que nos próximos 3-5 anos, todas as empresas – independente do setor – se transformarão em “fábricas de inovação digital”.

Atualmente, um carro possui em média mais de cem sensores. Metade deles monitora o funcionamento e o desempenho do motor; outros gerenciam sistemas de frenagem antibloqueio, controle ativo de tração, suspensão e pressão dos pneus. Do ponto de vista da segurança, confiança e conforto, os carros nunca foram melhores – e o futuro promete apenas mais progresso. Então, por que a maioria dos recursos necessários para carros novos hoje – para conforto, facilidade de uso, navegação e até mesmo segurança – permanecem sem uso após as primeiras semanas da compra do carro? As pessoas os experimentam e depois os desativam ou ignoram? O que está faltando? A resposta parece estar na seguinte afirmação: sensores fazem sentido quando os carros são feitos para as pessoas; carros são projetados com recursos que os designers consideram atraentes e importantes, mas engenheiros e tecnólogos freqüentemente desenvolvem recursos e produtos inteiros sem examinar como os motoristas e passageiros se comportam.

Quando nos referimos a dados, ouvimos que “dados são o Rei” ou “dados são o novo petróleo”. Na verdade, como empresas possuem uma quantidade quase ilimitada de dados e informações, são capazes de construir e implementar datalakes imensamente poderosos, usando uma variedade de tecnologias de ponta. No entanto, o grande desafio não diz respeito à tecnologia mas a trilhar o caminho desde a obtenção desses dados brutos, transformando-os em sabedoria informativa. Ou seja, o desafio é encontrar formas de transformar esses dados em inteligência, utilizando os dados para obter vantagens, melhorar a experiência, a satisfação do produto ou serviço e gerar valor aos clientes. De acordo com uma pesquisa mundial realizada pelo Gartner Group, com 196 associações, 91% das empresas ainda não atingiram o nível de maturidade desejada nessa transformação de dados em insights.

“91% das empresas ainda não atingiram o nível de maturidade desejado nessa transformação de dados em insights”, segundo o Gartner.

A Forrester previu que o mercado de software de automação de processos robóticos (RPA) atingirá US$ 2,9 bilhões em 2021. Embora o interesse pelo RPA tenha sido alto por um tempo, a adoção real somente agora está se aproximando. E embora as organizações entendam o poder do RPA e os benefícios que ele pode trazer com a eliminação de processos repetitivos, elas têm sofrido para implementá-lo por concentrar-se apenas na tecnologia. O valor aos negócios e seu impacto tem ficado no segundo plano. De acordo com a EY, de 30 a 50% dos projetos iniciais de RPA falham, e as causas não apontam para a tecnologia. Alguns dos motivos identificados apontam para não considerar o RPA como um processo liderado pelo negócio, em indicar uma liderança de TI; subestimar o que acontece depois que os processos foram automatizados; tratar a robótica como uma série de automações ao invés de um programa de mudança de ponta a ponta; inserir o RPA em processos que não fazem sentido.

O cerne do problema, como vemos, é que muitas soluções de tecnologia estão sendo projetadas sem que o foco seja colocado nas experiências e no valor e benefícios que elas trazem. Elas inevitavelmente irão apresentar baixa adesão e baixo desempenho se seu design não for direcionado para o “humano”, agregando valor tangível. Ao pensar em inovar, pense em inovar a experiência do cliente e quais benefícios você traz, use uma tecnologia para apoiar e acelerar a jornada inovadora.

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